Monday, May 17, 2010

De composições - PARTE I

Salve!

Muito atrasado em relação a maior parte da banda, decidi tornar pública a minha vivência desse curioso processo de gravação de músicas. Já que não sei falar de gravação (isso quem já mostrou que sabe é o meu xará) eu vou falar das músicas. Mais especificamente, da composição delas.Não adianta nada você ter o melhor microfone C3-PO e uma mesa de som R2-D2 se não tem nada de interessante pra gravar nesses robozinhos. É aí que é o papel do compositor. Um papel com músicas escritas nele.
Muito humildemente, vou contar aqui, numa história talvez um pouco longa, como nasce um compositor genérico, como um cara normal excreta de sua alma uma coisa que vira música, as pessoas tocam e ocasionalmente cai na boca do povo. Tentei generalizar a história, mas como me baseei um pouco na minha experiência pessoal posso estar descrevendo um processo que não corresponde ao dos meus amigos Pablo e Rafa, os outros compositores do Pangaré Valente. Um estímulo pra eles contarem também suas historinhas singelas. Aí vai:

Quando você tem doze ou treze anos e descobre que não serve nem pra beque porradeiro no futebol e o seu padrão de beleza não casa com o da boy band do momento, você começa a ter vontade de tocar violão. Por que alguém te diz que violão ajuda a pegar mulher, dá uma pose de artista, sei lá. Daí você aprende uns acordes, toca aquele nheco-nheco e... E você reconsidera tentar ser um beque porradeiro, por que não deu certo, você não pegou ninguem com aquela "come as you are" maneiríssima que você aprendeu.
Daí você fica triste. Você quer tomar um porre, mas aquela cerveja que servem nas festinhas é não-alcoolizada. Você volta pra casa e lá está o filha-da-puta daquele violão traíra encostado. Você pensa em jogar ele pela janela. Se se concentrar bem, consegue pensar que está jogando a sacana que te deu um toco pela janela. Mas daí, pensando justamente na sacana, você pega o violão, inverte a ordem dos acordes que você sabe, imita aquela batida bacana e.. E meio que plagiando alguém, meio que naturalmente você vai falando sobre a escrota que não quis nada com você, chamando ela de babaca mas pedindo pra ela voltar. Não tem ninguem ouvindo, vocÊ cria coragem. Canta que ela é um amor, e uma flor, mas que mata você de dor. Você pensa que isso é coisa de veado, mas agora já não tem mais controle. Sai tocando. Experimenta uns outros acordes. Sem deixar ninguem ver, escreve a letra no notepad do computador. Daí vem outra música. E outra. E mais outra.
Agora fodeu. Treze anos na cara e você é compositor. Só aquela emo meio sapata da turma ao lado é compositora, que merda, será que você é que nem ela? Mas você persevera (até por que não tem outra opção), burila as músicas, aos poucos vai cuidadosamente armando o seu plano. Três meses (ou semanas, ou dias, ou horas) depois você vai lá, todo se querendo no recreio e chega como quem não quer nada na rodinha da galera trazendo o seu violão debaixo do braço. Depois de dedilhar uns cinco minutos fingindo estar despreocupado esperando alguem pedir pra você tocar, você se cansa e manda: "po, compus uma parada".
Compus. O verbo conjugado assim tem um som engraçado, não parece uma palavra normal de sair da sua boca. Parece, sei lá, que é alguma parada cheia de pus. Quando alguem, só com metade da animação, pede pra você tocar, vocÊ já está desanimado, desconcentrado, querendo morrer, mas segue em frente.
Você toca. Senta a mão no nylon. Solta a voz. Arrebenta a boca do balão. Perde a linha. Isola o carretel. Manda o acorde final.

Pausa. Silêncio.

-Caralho maluco, tu canta muito mal!

E então, essa é a hora que você descobre que não adianta nada ser o novo Chico Buarque das composições se você é também o novo Chico Buarque das cordas vocais. A sua voz é de taquara rachada pra baixo. As vidraças da capela da escola estão no chão, até os pombos sairam voando. Mó mico. Você pensa que está tudo perdido, maaaas...
Você lembra que aquele garoto que tem o rostinho da boy band da moda E é centrovante no time oficial da escola por um acaso canta como um rouxinol castrati. E não sabe nem compor nem tocar. A aula de biologia sobre mutualismo de repente ecoa na sua mente. É nesse momento, jovem padawan, que começa a germinar em você o desejo de ter uma banda.

CONTINUA NO PRÓXIMO EPISÓDIO.

Saturday, May 1, 2010

Batera na Gavina




O senhor BrenoM iniciou os trabalhos de gravar bateria. O que eventualmente pode trasformar tudo que já foi gravado até agora em guias, levando abaixo horas de trabalho. Por sorte nem tudo foi perdido. Claro, alguns baixos vão ser regravados pra baterem junto do tamborzão, idem violões. Mas, pelo menos, as guitarras que foram já foram. A minha previsão é de mais dois meses gravando e um mês (com sorte) no mix e master. Rezemos aos deuses da fonução pronográfica.


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